Alegoria da caverna – poema de Augusto Pedro

Moderna alegoria da Caverna

Apenas conhecia
A sombra do corpo
Projectada na planície
Quando lhe batia
O luar da noite
Ou o sol do dia

E a imagem do rosto
Reflectida nas águas
Do lago
Ou do rio

Mas sentia o espírito arredio
E o pulsar do coração
Fosse qual fosse
A viração

Assim
O homem se via
Como ser uno
Humano

Até que um dia
Aprendeu a fabricar luz
Com tecnologia

Luz mais forte que a das estrelas
Que a da chama da candeia
Ou a labareda da fogueira

Não tão forte ainda assim
Como a do Sol
Ou a da Lua

Também um dia
Aprendeu a fabricar espelhos
Com tecnologia

Mais nítidos
Que a superfície cristalina
Das águas em repouso

Mas os espelhos
E as luzes
Que o homem criou
Com tecnologia
Reflectem falsas imagens
E geram pálidas sombras
De si
Toldam-lhe o espírito
Confundem-lhe o coração

E é o clarão nuclear que agora
Ameaça tudo aniquilar
A toda a hora

A menos que uma explosão de Amor
De Bem
E de Verdade
Sem espelhos
Nem sombras
Recoloque o homem
No caminho da espiritualidade

Autor: Henrique Pedro

www.luso-poemas.net

 

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