Textos de “Ibn-Sina (Avicena)”: A Antropologia

AVICENA: A ANTROPOLOGIAO que distingue os animais dotados de razão daqueles que dela são privados éo poder de conhecer as formas inteligíveis. Este poder é a alma racional aque se costuma também chamar intelecto material, ou seja, o intelecto empotência ou intelecto possível. As formas inteligíveis formam a alma de trêsmodos distintos. Em primeiro lugar, mediante emanação198ou infusão divina, sem qualquer ensinamento ou qualquer aquisição de origemsensível: é deste modo que ao homem é dado o conhecimento dos primeirosprincípios. Em segundo lugar, por meio do raciocínio discursivo e dopensamento demonstrativo: deste modo a alma conhece as espécies inteligíveisque são objecto da consideração lógica. Em terceiro lugar, e através dossentidos, com a ajuda de uma capacidade natural e inata. Mediante as espécies inteligíveis que assim advêm à alma, o intelecto em potência transforma-se emintelecto em acto, idêntico com as próprias espécies, de tal modo que é aomesmo tempo sujeito e objecto de conhecimento (intelligens et intellectum).A inteligência em potência, a simples substância intelectual, encontra-seapenas nas crianças, que estão ainda privadas de toda a forma ou espécieinteligível. Em seguida, sem a ajuda de qualquer ciência ou de qualquermeditação, obtém-se o conhecimento dos primeiros princípios. Tais princípiossão as verdades imediatamente evidentes, a que se dá o assentimento de formaimediata como, por exemplo “0 todo é maior que a parte” ou “Dois contráriosnão podem simultâneamente pertencer a uma única coisa”. Não podem derivaresses princípios da experiência sensível: não podendo portanto seremfundamento de um juízo necessário, porque não excluem o juizo contrárioàquele que sugerem. Estes princípios devem ser portanto o produto de umaimanação divina à qual a alma se encontra unida continuamente ou de formainterrupta. Uma vez que, em virtude de tal imanação, a alma adquire oconhecimento dos primeiros princípios, o intelecto está já em acto e a suaactividade pode enriquecer o património inteligível que lhe foisubrainistrado pelo alto. Intervém então a actividade discursiva dointelecto, que procede por composição e divisão, isto é, por análise esíntese, e este exercício é determinado pelos primeiros princípios que a alma199possui. As outras formas inteligíveis ou conhecimentos racionais sãoadquiridos pela alma por via de abstracção da experiência sensível. Aabstracção e aactividade discursiva que compõem e dividem, são pois os dois meiosfundamentais pelos quais a alma humana adquire e enriquece os seusconhecimentos racionais e constituem o intelecto adquirido. Existe uma viadirecta de aquisição, mas é excepcional ereservada a poucos: “Em alguns homens a vigília prolongada e uma certa uniãoíntima com o Intelecto universal (isto é, o Intelecto em acto de Deus)conferiram ao poder da razão uma tal disposição que a alma racional desteshomens deixa de ter necess);dade de qualquer raciocínio discursivo ou do socorro da reflexão para conhecer e aumentar a sua ciência. A esta disposiçãodá-se o nome de santidade e a alma que dela é dotada é uma alma santificada.Mas esta graça e esta dignidade são apenas concedidas aos profetas e aosapóstolos, nos quais se encontra a salvação

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