Alienação (marxismo)

O conceito de alienação é histórico. A história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. Portanto, a principal característica do homem é a sua criatividade de procurar soluções para seus problemas. Com a prática do trabalho, desenvolve seu raciocínio, aprende “novas lições” e coloca-as em prática. A alienação no trabalho é gerada devido à mercadoria, que são os produtos confeccionados pelos trabalhadores explorados, e ao lucro, que vem a ser a usurpação do trabalhador para que mais mercadorias sejam produzidas e vendidas acima do preço investido no trabalhador, assim rompendo o homem de si mesmo. “A atividade produtiva é, portanto, a fonte da consciência, e a ‘consciência alienada’ é o reflexo da atividade alienada ou da alienação da atividade, isto é, da autoalienação do trabalho”.[2]

No entanto, a produção depende do consumo e vice-versa. Sendo que o consumo produz a produção, e sem o consumo o trabalhador não produz. A produção consome a força de trabalho, também sustentando o consumo, pois cada mercadoria consumida vira uma mercadoria a ser produzida. Por conseguinte, ao se consumir de um produto que não é por si produzido, se fecha o ciclo de alienação. Pois, quando um produto é comprado, estará alimentando pessoas por um lado, e por outro colaborando com sua alienação e suas respectivas explorações. Onde quer que o capital imponha relações entre mercadorias, a alienação se manifesta; é a relação social engendrada pelo capital, seu jeito de ser humano.

Sua existência determinada pela economia (razão) exige uma intervenção política (paixão) que destrua sua gênese (a posse individual dos meios de produção), que promova uma revolução na economia.

Há também a questão da alimentação da alienação através das propagandas de produtos, que desumanizam os homens ao relacionar o produto com o consumidor e somente conceder-lhe a sensação de humanidade após o consumo do produto.

Em síntese, para melhor compreender o problema da alienação, é importante observar sua dupla contradição. Por um lado, há a ruptura do indivíduo com o seu próprio destino e uma síntese da ruptura anterior, apresentando novas possibilidades de romper a mesma alienação. O outro lado se apresenta como uma contradição externa, com o capital tentando tirar, do homem, suas características humanas, que leva o homem a lutar pela reapropriação de seus gestos.

Após confrontar a economia política e suas consequências no cotidiano das pessoas lançando, pela primeira vez, a expressão “alienação no trabalho”, Marx expõe, pela primeira vez, a alienação da sociedade burguesa – o fetichismo, que é o fato de a pessoa idolatrar certos objetos (automóveis, joias etc.). O importante não é mais o sentimento, a consciência, pensamentos, mas sim o que a pessoa tem. Sendo o dinheiro o maior fetiche desta cultura, o que passa a ilusão às pessoas de possuir tudo o que desejam a respeito de bens materiais.

É muito importante também destacar que alienação se estende por todos os lados, mas não se trata de produto da consciência coletiva. A alienação somente constrói uma consciência fragmentada, que vem a ser algumas visões que as pessoas têm de um determinado assunto, algumas alienadas sem saber e outras que não esboçam nenhum posicionamento.

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